quinta-feira, 23 de abril de 2009


Ah! Se antes houvesse
Deixado de ser bobo
E permitido devorar-me o amor;

Ah! Se antes houvesse parado
Para tomar tuas mãos, te abraçar
E me permitido de amor inebriar.

Não teria essa dor
Não teria o sofrer
Não houvesse que chorar

Ah! Se antes houvesse tolerado
A paixão me consumir,
Uma tão nietzschiana paixão,

Imensa como o oceano
No qual eu seria
Pequena gota de água e sal

Que a brisa respingaria
Como proposta de amor
Sobre teu corpo ao sol;

E retornaria a vida,
E tudo se consumaria
E o todo se completaria.

Se antes houvesse...

Vilemar Costa



Ó perfumados flores, verdejantes prados,

Ó cantantes passaros,

Rios correntes, reluzentes mares;


Ouço o gemer de tuas vozes dolentes,

Qual lamento sob uma lua glacial,

Aos surdos poderes humanos.


O eco de teus lamúrias ressoa

Nos poços atômicos, nos montes de plásticos,

Por entre as folhas mortas no chão;


O furor dos homens

Loucos, cinzentos, algozes,

Sob pretexto de vida te destroem,


Interrompe a algazarra das borboletas,

Cessa o fluir da brisa perfumada

E o sereno das manhãs não transgride o ar.


E se te vais,

Onde poderei, como Bocage,

Dar queixas contra o amor e o fado?


Se te matam, onde poderei

Admirar no jardim a rosa flor

E compartilhar minhas aflições?


Contar meus danos e desfiar na relva

Minhas mágoas,

Falar de minhas saudades?


Como irei expor meu amor

Traduzindo-o como natureza,

O amor como minha natureza?


Ó Terra, se continuam a destruir-te,

Onde iremos enterrar nossos mortos,

E onde se levantará o sol?

Vilemar Costa.

domingo, 21 de dezembro de 2008


Sou pó e sombras;
Insosso;
Sombra
Diluída na dor suja
Dos contratempos humanos.
Pó dos mortos
E patético.
Pó e sombras que clamam o Sopro,
Que muda sombras em fogo
E o pó esvoaçante cauteriza
E prencha o coração vazio,
E faça argamassa,
Na qual decrete e estabeleça
O devir do homo-logos primevo.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Que auspiciosas graças e benefícios irradiem-se em teu caminho e derramem-se entre todos os teus entes queridos;
Que na impermanência e na delusão do cotidiano, possa o Verbo que habita a jóia em teu coração, fortalecer-te em Sabedoria, Entendimento e Verdade.
Que ao teu redor, em tua família e em teu trabalho, vinguem a Paz, o Bem e a Prosperidade;
Que irradies em teu redor, a Bondade, a Compaixão e a Caridade;
Que a Harmonia, a Benevolência e a Concórdia sejam as sementes para o plantio do novo ano.
Que o Amor brote e permita tolerar, acolher e perdoar;
E que desse Amor se irradie o cuidar do ser, o cuidar do outro.
Que o Cristo impulsione teu coração e mova o teu caminhar em Paz, na construção de pontes e não de muros, com Fé, Temperança e Justiça.
Que a Força e a Sabedoria motivem tua ousadia de arriscar novos caminhos e novos sonhos.
Que todos esses dons motivem tuas ações neste Natal, se estendam por todos os dias futuros, e se manifestem em teus relacionamentos no ano que vai nascer.
Feliz Natal !!!
Vida plena de Saúde, Fortuna e Felicidades no ano que vai chegar.
Que a Sabedoria e a Graça, a Justiça e a Solidariedade, a Misericórdia e a Esperança resplandeçam em 2009, sobre ti, sobre teus familiares e amigos;
Que o Amor dirija teus pensamentos, palavras e ações a cada dia do novo ano, assim como de toda a tua familia.
Feliz Ano Novo !!!
Sobre a Terra, Paz; aos Homens, Boa Vontade;
É o que desejamos,
Vilemar Costa e família

Fones: (85) 99.37.26.97 E-mail:vilemarfc@gmail.com

domingo, 30 de novembro de 2008

A oitava maravilha do mundo é teu corpo.
O maior pecado é o oceano de teus olhos
Que refletem a via lactea.
Ou será a via lactea
Que teus olhos refletem.

Em tua pele
a infinidade de universos
Onde minhas palmas deslizam
Em doce percurso
O mundo inteiro começa e acaba em ti.

Mergulho nos arbustos negros
Que ornam o portal concavo de tua taça
Nele respiro o prana,
Tempero alquimico de tua flôr
Ora entre meus dentes e o coração.

Lambuzo o rosto
Modelando tua carnosa fruta
limiar da energia criadora
Cadinho onde fogo e agua
Geram balsamos tecem vidas.

Arremeto no teu ventre,
O universo pulsa e semeia pecado
No oscilar de tuas ancas,
Ou seria o oscilar de tuas ancas
O ritmo do universo

Na paisagem
o amor se espalha se espelha
Tua voz peca ao sussurar meu nome
Serpenteamos, desfalecemos e repousamos
Sob o céu que nos margeia

Na certeza de um vôo perfeito,
Em teus braços não sou mais eu mesmo
Beija flor voando leve
Sobre canteiro de orquídeas e jasmins,
Sou livre porque sou teu escravo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008


Enquanto a lua vivifica águas
Nomeamos flores
Seres dançam
Vibram cores

No cosmo caos
Onde o silencio mora
A liberdade se faz
Entre um e outro piscar cósmico

A paz ressoa
O sol dinamiza o sangue
O Espírito muda onde sopra
E por isso eu canto

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ultima B'Arca


A ULTIMA B’ARCA

Alberga a marquise que o sol queima
Resíduos humanos da moderna idade
Vistos como opaca sombra
Chaga invisível da míope cidade

Desvalidos e alquebrados
Clamando por vida e piedade
Vagam condenados sem perdão
Entre as ruas da sociedade

Ignorados na saciedade
Do espetáculo meros atores
Desfiam desprezada súplica
Ombros curvados em dissabores

O esgar da boca banguela
Aparentando bote sobre a presa
Revela a lenta ruína
Que arremata suas bocas fétidas

Urbi et orbi exilados
No alheamento da cidade
Não recebem qualquer esperança
Só indiferença, não saudade

Sobra-lhes a resignação de olhar
A relva, o capim e a grama
Vingarem ao meio-fio do asfalto
Sobre seus multicores dramas

Assim, sob o tronar dos reclamos
Ao abrigo do colorido outdoor
Esperam que a ultima b’arca acolha
A sujidade de seus corpos azedos.