quinta-feira, 25 de agosto de 2016



Da estupidez desta vida
Escrevo
Porque a vida dói
Porque caminho espinhos
Porque abaixo de mim existe
Um abismo
Existe e é apavorante
Onde imerso estou
E a angústia é sólida
O animo diluído em tristeza
Melancolia, palpitações, insônia
Percorrem aortas, veias, válvulas
Envolto em cinza, negro, roxo
A morte em potencia.
A vida é malogro e dói
Tanta dor que não cabem numa escrita
E escorrem das pautas.
Escrevo e não me reconheço.
Será isso a vida?
Um rodopio obstinado
Em pensamentos alucinados?
Essas vozes e esses passos arrastados em ouvidos secos?
Estarei beirando a paranoia?
A insanidade?
A histeria?
Mesmo após atravessado marés altas e lamaçais, céu e inferno?
Não há lágrimas
Há um buraco no peito
Uma estranha ausência que só é vista nos mortos.
Uma saudade de mim como se não estivesse aqui.

Viver é armadilha e mata.
                         Vilemar F Costa -  08.016

sábado, 26 de março de 2016



A  recusa de ser escravo é na verdade a revolução.
A  recusa é na verdade o que muda o mundo.
Assim cada homem é convidado a fazer sua própria.
FIAT LUX.
Um dia de luz na consciência são mil anos do mundo.
Recusa é o atrito que produz luz.
A revolução de um dia de recusa no presente, vale séculos.
É o presente que amadurece a consciência e a vontade de recusa.
É no presente que há revolução.
É o presente que contém a riqueza da construção possível.
Construção da verdadeira vida longe do senso comum da subvida, da asfixiante sobrevivência, da mediocridade e da morte pela ausência da paixão.
Morte suave que se disfarça na sob vida, na subvida da sobrevivência.
O desassossego da morte sob  disfarce assalta-me na proporção da multidão que me rodeia.
Morte que o senhorio coloca como natural tal qual uma boca sem dentes.

Hoje o que aterroriza nem é tanto a morte, mas a presença angustiante da sub vivencia, o terror é a ausência da verdadeira vida, da vida transbordante em poesia e arte.
Mesmo presente que na verdadeira vida o morrer é inevitável, pelo menos o morrer será da mesma maneira como aconteceu amar.
Com voluptuoso prazer, na possibilidade da revolução, no jogo da paixão, com arte, poesia, criatividade e liberdade.

Não se pode ir à recusa sem  arte, poesia, criatividade, jogo, liberdade e amor.
Não há a revolução sem arte, poesia, criatividade, jogo, liberdade e amor.
Não se pode viver verdadeira vida sem  arte, poesia, criatividade, jogo, liberdade e amor.
Sem isso nem se deve morrer. 
                            Vilemar F. Costa   -  Março/2016

*** Aqui a palavra “jogo” uso segundo os conceitos de Johan Huizinga em “Homo Ludens” e Eduardo Nicol em “Critica da Razão Simbólica”.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Nesta moderna sociedade do espetáculo, 
como podemos observar numa noite de verão, caranguejos a lançar bolhas no meio do mangue?
No cotidiano desta civilização do espetáculo, 
quando poderemos ter uma tarde livre para ouvir junto às plantas cantos de cigarras?
Que tempo livre sobra para observar a lua cheia refletida na agua cristalina de um lago ou numa maré?
Neste liberalismo capitalista selvagem, em que predomina a tendência de retrocesso à barbárie,
quando reconheceremos no olhar do outro o caminho que nos une na defesa da justiça, da igualdade, da hospitalidade e fraternidade?
Como perceber no estender de mãos do outro, no ser e sujeito do próximo, o que é o ser humano?
Como despertar da hipnose do sistema e despertos considerar que juntos devemos estar na construção de uma realidade em beneficio e interesse de todos: homens, animais, natureza?

quinta-feira, 28 de março de 2013


Meus  desejos de Páscoa.

Que a Sabedoria renasça em cada coração.

Que os olhos contemplem a  Beleza.

Que os ouvidos ouçam a música da Solidariedade e o canto de louvor da Caridade.

Que o coração se incendeie de Compaixão.

Que as mãos partilhem a boa Obra.

Que os pés trilhem o bom Caminho.

Que a mente perceba a Páscoa como passagem pelos caminhos da vida em busca da renovação do ser e de ser.

Que possa ser a Pascoa o recomeço da fraternidade e da  Justiça entre os homens.

Que a cada ação e a cada gesto o Amor se faça presente e constante.

Tenha uma boa e feliz Páscoa, e que os desejos perdurem como realidade presente na época da Páscoa, e além da Pascoa, ao longo da construção cotidiana de seu caminho!

Depois de tudo

Cinza,

Desponta a aurora sob o ceu azul

E o  branco algodão doce das nuvens.

A vida dança sob os raios do sol.

Não a minha.

Tristeza boia

A  pesar.  Apesar.

Nem sei viver isto,

O deserto desta tristeza

De olhar-me fundo

E saber que sou

Nada.

Meu  pensamento vadia

Nas vagas nuvens alaranjadas

Na  esperança de encontrar deus

Por entre o azul vazio do céu.

Ansiedade desce no choro

Reprimida apreensão de um futuro adiante

Presente

Melancolia rasga-me o peito

Na angustia louca da construção de deus

De um consolo

Do deus que se perdeu.

                            Vilemar F. Costa  -  Março / 2013

 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

FULGOR LUNAR NA TERRA MOLHADA


Um fulgor lunar,
o púbis negro da noite, rasga.
Ergue a flecha de desejos,
inflama lábios encharcados,
na volúpia
troca serpeante de línguas
e frêmitos apetites
enfeitiçam olhos acesos.

Corpos se acolhem
no alinhavar dos abraços,
pernas espraiadas recolhem
ânsias do amor em refugio,
rumo ao arco-íris.

A luz fulge em colores mil
a noite transforma-se em dia
a palavra em pintura
o olhar em palavra
e corpos extasiados em poesia.

Na terra molhada, vinga o sêmen.
Vilemar F Costa mai012

domingo, 25 de março de 2012

ENIGMA


Duplo

A totalizar-se um

Passo

Em desintegrar-se luz.

Poeira estelar prisioneira em sombras

Perdido no labirinto de astros e sonhos

Perdido no crepusculo

de pó e sombras sob a tenue luz

Que vaza  as grades da gaiola.

Não sou  consciencia

Que submete coração e alma

Acontece

Sempre e outras vezes

que busco repasto nas cinzas.