Da
estupidez desta vida
Escrevo
Porque
a vida dói
Porque
caminho espinhos
Porque
abaixo de mim existe
Um
abismo
Existe
e é apavorante
Onde
imerso estou
E
a angústia é sólida
O
animo diluído em tristeza
Melancolia,
palpitações, insônia
Percorrem
aortas, veias, válvulas
Envolto
em cinza, negro, roxo
A
morte em potencia.
A
vida é malogro e dói
Tanta
dor que não cabem numa escrita
E
escorrem das pautas.
Escrevo
e não me reconheço.
Será
isso a vida?
Um
rodopio obstinado
Em
pensamentos alucinados?
Essas
vozes e esses passos arrastados em ouvidos secos?
Estarei
beirando a paranoia?
A
insanidade?
A
histeria?
Mesmo
após atravessado marés altas e lamaçais, céu e inferno?
Não
há lágrimas
Há
um buraco no peito
Uma
estranha ausência que só é vista nos mortos.
Uma
saudade de mim como se não estivesse aqui.
Viver
é armadilha e mata.
Vilemar F Costa - 08.016

