domingo, 18 de novembro de 2007






Pulsão

Cavalgo-te,

inquieta me devoras,

indócil,

indomável

como a morte

como o gôzo que nos aguarda no instante.

Preso

nas curvas de tuas ancas,

ao teus lábios,

na profundidade de teu sexo,

tenho a impressão de que levanto vôo

feito pássaro marinho

por sobre as dunas.

Teu púbis angelical

se encharca

o meu se afoga

e se afoba:

aroma de maresia e ostras

embebeda o ar de nosso leito,

acri-doce cais do porto

desembarque dum gozar profundo

e da alegria eterna,

num suspiro único e selvagem.

Com a alma encharcada de ti

um coração na mão e uma orquídea na cabeça,

repouso

ofegante

em teu regaço,

o mundo é nosso centro

nossos braços se imploram,

a vida avança sobre a manhã,

branca, alta,

desperta.

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