
A ULTIMA B’ARCA
Alberga a marquise que o sol queima
Resíduos humanos da moderna idade
Vistos como opaca sombra
Chaga invisível da míope cidade
Desvalidos e alquebrados
Clamando por vida e piedade
Vagam condenados sem perdão
Entre as ruas da sociedade
Ignorados na saciedade
Do espetáculo meros atores
Desfiam desprezada súplica
Ombros curvados em dissabores
O esgar da boca banguela
Aparentando bote sobre a presa
Revela a lenta ruína
Que arremata suas bocas fétidas
Urbi et orbi exilados
No alheamento da cidade
Não recebem qualquer esperança
Só indiferença, não saudade
Sobra-lhes a resignação de olhar
A relva, o capim e a grama
Vingarem ao meio-fio do asfalto
Sobre seus multicores dramas
Assim, sob o tronar dos reclamos
Ao abrigo do colorido outdoor
Esperam que a ultima b’arca acolha
A sujidade de seus corpos azedos.


6 comentários:
Muito verdadeiro este drama, Vilemar! Esta miséria tem sido a paisagem, principalmente, das nossas capitais... o tema provoca indignação diante da realidade, mas é mais um belo trabalho literário teu.
bjos @>--
Amigo Vilemar,
Por ter sido indicada agora indico o seu blog e estes outros, se aceitarem, para usar o Selo "Prêmio Dardos" em sinal de admiração pela contribuição literária e cultural dos mesmos.
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Flores para todos! @>--
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extraordinária escrita.
estarei mais vezes por aqui.
saudações
http:\\coresemtonsdecinza.blogspot.com
Obrigado pelo bom uso da foto que fiz. Não sou muito adepto à poesia. Falha minha, naturalmente, em não prestar atenção a elas no tempo que normalmente se faz isso. Falaha curricular. Mas, de alguma forma, venho tentando recuperar o tempo perdido. Obrigado por juntar essas duas pontas.
Obrigado pelo bom uso da foto que fiz. Não sou muito adepto à poesia. Falha minha, naturalmente, em não prestar atenção a elas no tempo que normalmente se faz isso. Falaha curricular. Mas, de alguma forma, venho tentando recuperar o tempo perdido. Obrigado por juntar essas duas pontas.
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