Ó perfumados flores, verdejantes prados,
Ó cantantes passaros,
Rios correntes, reluzentes mares;
Ouço o gemer de tuas vozes dolentes,
Qual lamento sob uma lua glacial,
Aos surdos poderes humanos.
O eco de teus lamúrias ressoa
Nos poços atômicos, nos montes de plásticos,
Por entre as folhas mortas no chão;
O furor dos homens
Loucos, cinzentos, algozes,
Sob pretexto de vida te destroem,
Interrompe a algazarra das borboletas,
Cessa o fluir da brisa perfumada
E o sereno das manhãs não transgride o ar.
E se te vais,
Onde poderei, como Bocage,
Dar queixas contra o amor e o fado?
Se te matam, onde poderei
Admirar no jardim a rosa flor
E compartilhar minhas aflições?
Contar meus danos e desfiar na relva
Minhas mágoas,
Falar de minhas saudades?
Como irei expor meu amor
Traduzindo-o como natureza,
O amor como minha natureza?
Ó Terra, se continuam a destruir-te,
Onde iremos enterrar nossos mortos,
E onde se levantará o sol?
Vilemar Costa.


3 comentários:
Olá Vilemar,
Mais uma bela poesia de sua safra a nos encantar.
Voltei, também, para digitar seu nome corretamente, já que no comentário anterior inventei de colocar um I.
Um abraço,
Dalinha
Oi, amigo
Só hoje estou chegando aqui. Dei uma olhadela e gostei muito, mas já é muito tarde para mergulhar no teu blog como quero.
Amanhã...
Vc está no horário de San Diego. Aqui são 21:37
Postar um comentário