quinta-feira, 23 de abril de 2009




Ó perfumados flores, verdejantes prados,

Ó cantantes passaros,

Rios correntes, reluzentes mares;


Ouço o gemer de tuas vozes dolentes,

Qual lamento sob uma lua glacial,

Aos surdos poderes humanos.


O eco de teus lamúrias ressoa

Nos poços atômicos, nos montes de plásticos,

Por entre as folhas mortas no chão;


O furor dos homens

Loucos, cinzentos, algozes,

Sob pretexto de vida te destroem,


Interrompe a algazarra das borboletas,

Cessa o fluir da brisa perfumada

E o sereno das manhãs não transgride o ar.


E se te vais,

Onde poderei, como Bocage,

Dar queixas contra o amor e o fado?


Se te matam, onde poderei

Admirar no jardim a rosa flor

E compartilhar minhas aflições?


Contar meus danos e desfiar na relva

Minhas mágoas,

Falar de minhas saudades?


Como irei expor meu amor

Traduzindo-o como natureza,

O amor como minha natureza?


Ó Terra, se continuam a destruir-te,

Onde iremos enterrar nossos mortos,

E onde se levantará o sol?

Vilemar Costa.

4 comentários:

  1. Olá Vilemar,
    Mais uma bela poesia de sua safra a nos encantar.
    Voltei, também, para digitar seu nome corretamente, já que no comentário anterior inventei de colocar um I.
    Um abraço,
    Dalinha

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  2. Oi, amigo
    Só hoje estou chegando aqui. Dei uma olhadela e gostei muito, mas já é muito tarde para mergulhar no teu blog como quero.
    Amanhã...

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  3. Vc está no horário de San Diego. Aqui são 21:37

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  4. Olá amigo Vilemar, obrigado pela pela visita, aqui encontrei belos textos seus,parabenizo-lhe por tão profunda reflexão sobre o uso e destruição desse nosso planeta.

    Um grande abraço dos amigos, Alque e Cris!

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