segunda-feira, 30 de novembro de 2009

VIDA

Vida que depressa vai ultrapassando
A vida
Que alimenta
A morte
Que alimenta
A vida
Que é breve
Ainda inacabada enquanto memória
Enquanto em mim mora.

Vida que marcha soturna
Fertilizando-se nos elementos,
Através do tempo e da dor
Parindo alegrias, esperanças,
O tecido entrelaçado de luz e sombra,
Melodia e poesia, germes e frutos
Com que nos veste
E que se estende, toca, cobre, cobra
Entecida de paixão, juízo e razão.

Vida móbile que retalha os dias
Sangrando o hoje e o amanhã,
Delimita e sulca o caminho
Entre o berço e o cemitério
Na viagem que se faz ao caminhar,
Não sabendo
Onde está escondida
A nova vida
A velha morte,
Saídas entre as vidas
No combate fértil da esperança
No parir do embate entre céu e terra.

Vida em que tudo está
Sempre
Rodando e em transito:
As palavras, as pessoas,
O tempo, o vento,
O hálito, o olhar,
A natureza, a dor,
Os anjos e os demônios
Rondando
A desde já velha vida
E a nova morte em ânsia.

Vida que a morte move
Ávida,
Há vida na morte ávida,
E no percurso
A paixão move a vida
Antes de tudo,
Sustenta-a o conflito instinto e razão,
Num circular ciclo dúbio
Em que sobe ao céu e desce à terra
Das coisas divinas para as humanas.

Vida terrenal
Essência perecível
No galope ultrapassando
O transito da memória
Edênica,
No pesar da saudade
Da pátria original distante.
De saudade é feito vida.
Vilemar F. Costa .’.

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